segunda-feira, 15 de julho de 2013

Lido e Assistido #1 - O ensaio sobre a cegueira, José Saramago e Blindness (2008), Fernando Meirelles

Sobre o livro:



Fica difícil escrever ou falar de um livro que nos cala, nos emudece diante da verdade. Aquela verdade feia que buscamos cobrir com a maquiagem, com roupas bonitas, com sorrisos e meias verdades, resumindo com as máscaras sociais e as convenções estabelecidas pelos costumes morais que nos cercam.
Escondemo-nos atrás de tudo isso, encobrimos a natureza mesquinha e egoísta. Afinal quem nunca fingiu que gostava da roupa da melhor amiga pra agradá-la? Ou doou alguma coisa que não usava mais, que estava largada no fundo do guarda roupa para aplacar o peso de ter comprado mais do que pode usar?
Esse livro coloca o dedo na ferida e mostra como a necessidade e a convivência, misturadas com o medo, a insegurança, as necessidades primárias e a privação de algumas necessidades básicas de higiene, saúde, alimentação, saneamento e o mínimo para separar humanos de animais.

Saramago é ácido, sarcástico, frio em suas analises, mas sempre crente na mudança e no potencial da humanidade, sempre deixando a luz do corredor acessa e a porta com uma abertura, mostrando o pior e o melhor, os extremos entre o pior e o melhor de cada um.

A história toda se passa diante de uma epidemia que causa uma cegueira nas pessoas, mas não uma cegueira negra, uma cegueira branca, como se estivesse olhando para uma folha em branco, uma claridade que nunca se apaga.
O primeiro cego esta dirigindo, esperando o semáforo mudar de vermelho pra verde e cega repentinamente, sozinho em meio a desconhecidos, imaginem a insegurança, o medo e a sensação de impotência desse homem, conseguiu imaginar?
Eu sim, pois isso é muito bem descrito e é agonizante e tenso e desesperador.
Em meio a toda essa confusão uma boa alma se oferece para ajudá-lo, levá-lo até em casa em segurança e ele aceita e se sente confortado, ou não? Será que existem segundas intenções nesse homem? Como o primeiro cego vai viver sem enxergar, ele terá que confiar nos outros? Como ele vai se adaptar a nova vida?

E eu paro por aqui, essa história merce ser lida com todo o suspense possível, pois ele necessita ser desvendada pouco a pouco e o mais importante desse livro é justamente as sensações que o livro nos causam, elas são tão reais e tão verdadeiras que causam até sensações físicas, como asco, arrepios e medo, um medo essencial, que vem do âmago da alma e dos maiores medos da humanidade, pelo menos da minha.


Sobre o filme:


O trailer:




Agora sobre o filme, estava ansiosa e com medo de me decepcionar, mas tive uma grata surpresa o filme é tão bom e angustiante quanto o livro, com algumas adaptações necessárias pra manter o ritmo do filme, pequenas mudanças que eu considerei boas e necessárias que não descaracterizara mo livro, ficou bem fiel.
Com exceção a cena do cachorro que seca lágrimas que é a mais linda do livro e no filme ficou meio fraca não tenho o que reclamar. Como já tinha lido o livro, o filme foi menos intenso, mas porque já não tinha o suspense do final e do desenrolar da trama.

Outra coisa que eu gostei muito foi o elenco e o cenário, algumas cenas são aqui em São Paulo e isso fez com que eu me sentisse mais próxima dos personagens e da história.

Esse foi com certeza um dos melhores livros da vida, (espero que tenha conseguido expressar o quão bom esse livro é e o quanto vale a pena ser lido) e como sempre prefiro o livro ao filme, mas é questão de gosto e do gosto de uma apaixonada por livros.



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