domingo, 20 de outubro de 2013

Tá Lido #27 - Vermelho Amargo, Bartolomeu Campos de Queirós

Vermelho Amargo
Autor: Bartolomeu Campos de Queirós
Páginas: 75
Editora: Cosac Naify
Avaliação: 5 estrelas
Sinopse: O primeiro livro pela Cosac Naify de um dos maiores expoentes da literatura infanto juvenil brasileira não poderia ser mais um. Vermelho amargo revela uma face diferente do escritor Bartolomeu Campos de Queirós, e o insere definitivamente na literatura brasileira, para além de classificações. Um narrador em primeira pessoa revisita a dolorosa infância, marcada pela ausência da mãe substituída por uma madrasta indiferente. Vemos os irmãos, filhos de um pai que não larga o álcool e de uma madrasta que serve em todas as refeições fatias cada vez mais finas de tomate, desenvolverem diversas anomalias para tentar suprir a ausência de afeto e a saudade da mãe: um come vidro, a outra não larga as agulhas e o ponto cruz. Numa espécie de contagem regressiva, o narrador observa seus irmãos mais velhos irem embora de casa. A prosa memorialística vale a pena, no entanto: afinal, "esquecer é desexistir, é não ter havido". Neste depoimento de inspiração autobiográfica, a prosa poética de Bartolomeu é dolorosamente bela. Como ele mesmo coloca na epígrafe, foi preciso deitar o vermelho sobre papel branco para bem aliviar o seu amargor. Uma obra delicada como arame farpado, nas palavras do diretor teatral Gabriel Villela, que assina o texto de quarta capa.

Adicione no Skoob!

________________°°°_____________________°°°_________________

Esse livro conta a história de um menino que perdeu tanta coisa, que ele nem sabe mais o que tem, ele fala sobre os medos, as incertezas e as buscas de uma criança, que perdeu sua mãe e ganhou uma madrasta, que corta fatias tão finas de tomate para que as oito pessoas da casa possam comer, mas esse tomate tem uma relação com a raiva e as mágoas da madrasta, quanto mais você lê esse livro, mais percebe a poesia, a sutileza e a escolha acertada das palavras e alegorias.



O mais interessante é que ninguém é nomeado, todos são definidos por grau de parentesco, depois por alguma característica pessoal, pelo que a pessoa faz ou do que ela gosta. Isso ao mesmo que é impessoal é pessoal, afinal somos definidos pelo que somos e gostamos, além da influencia, além do meio de convívio, é claro.

Esse livro é bem curtinho e dá vontade de começar a ler assim que termina, mesmo assim ele precisa de um tempo pra ser "digerido", ele precisa de um tempo pra perceber a sutileza e a profundidade dele, parece mesmo que ele é uma escrita muito pessoal das lembranças da infância e dos sentimentos dele durante esse período.


O mais interessante é a forma que a criança tenta lidar com as mudanças, com a falta da mãe e a busca e falta do amor, ele tenta não querer amar, mas sente vontade, ele sente saudade e mesmo sem querer tenta procurar coisas boas na madrasta, busca no pai que esta sempre bêbado, no irmão que come vidro, na irmã bordadeira ou na irmã que mia, qualquer sinal de afeto ou de sentimentos, dá a impressão que todos do convívio dele estão tão perdidos quanto ele.


"Aturdido. Eis uma palavra muda traçando fronteira com a loucura. Só hoje descubro esta sonoridade surda morando em mim, ainda menino. Aturdido pelo medo de, no futuro, não ganhar corpo, e não suportar as caixas de manteiga. Aturdido por ter as carnes atrofiadas sobre os ossos. Aturdido por ter a alma como carga. e suportá-la para viver o eterno que existia antes de mim. Aturdido por ser mortal abrigando o imortal. Aturdido pelo receio de descumprir as promessas deixadas aos pés dos santos. Aturdido pela desconfiança de a vida ser uma definitiva mentira."
Até a próxima!

;)

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Sinta-se a vontade para compartilhar as suas opiniões e experiências!
Obrigada pela visita!