terça-feira, 29 de outubro de 2013

Tá lido #28 - Catcher in the rye, O apanhador no campo de centeio, J.D. Sallinger

Catcher in the rye, O apanhador no campo de centeio


Autor: J.D. Sallinger
Editora: Editora do Autor

Páginas: 190

Avaliação: 5 estrelas e favorito!

Sinopse: O Apanhador no Campo de Centeio, na edição brasileira, narra um fim-de-semana na vida de Holden Caulfield, jovem de 16 anos vindo de uma família abastada de Nova York. Holden, estudante de um reputado internato para rapazes, volta para casa mais cedo no inverno depois de ter recebido más notas em quase todas as matérias e ter sido expulso. No regresso a casa, decide fazer um périplo adiando assim o confronto com a família. Holden vai refletindo sobre a sua curta vida, repassa sua peculiar visão de mundo e tenta definir alguma diretriz para seu futuro. Antes de enfrentar os pais, procura algumas pessoas importantes para si (um professor, uma antiga namorada, a sua irmãzinha) e tenta explicar-lhes a confusão que passa pela sua cabeça. Foi este livro que criou a cultura-jovem, pois na época em que foi escrito, a adolescência era apenas considerada uma passagem entre a juventude e a fase adulta, que não tinha importância. Mas esse livro mostrou o valor da adolescência, mostrando como os adolescentes pensam.

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Esse livro é um daqueles que merece ser relido, indicado e amado. Merece cada comentário positivo, porceber até que ponto que além de ser uma obra que mudou o pensamento das pessoas na época em que foi lançada, hoje é super atual e consegue se conectar com os adolescentes, consegue mostrar os receios, as revoltas, a forma de complicar as coisas e a visão e a forma de reagir as autoridades e a família.

Quando eu era adolescente minha mãe falava que eu era uma rebelde sem causa, que ela não entendia de onde vinha esse sentimento, já que tinha tudo e ainda assim arrumava motivos para reclamar. E hoje eu consigo ver que é um sentimento da adolescência mesmo, acho até que é uma forma de lidar com as mudanças, no corpo, na cabeça e na forma de ser visto pelos outros.

"... engraçado, basta a gente dizer alguma coisa que ninguém entende para que façam praticamente tudo que a gente quer."

E essa forma de ser visto, de querer ser descolado, ou desencanado, de ser "autêntico" e pertencer à uma tribo é uma das maiores motivações de mudanças na vida dos adolescentes e a essência disso é muito bem abordada em O apanhador no campo de centeio, tem gente até que acha o Holden irritande, mas qual adolescente não é?

Um dos pontos mais impactantes na vida do Holden é a morte de seu irmãozinho mais novo, que era um menino muito legal, bonzinho e que morreu de leucemia, o que na opinião dele é injusto, como um menino tão maravilhoso pode morrer e as pessoas más viverem?
A forma que ele lida com essa morte é o ponto de mudança de comportamento e a maneira de se sentir com relação ao resto do mundo, ele se sente perdido, confuso e sem saber direito com quem conversar e como agir, a jornada dele desde o momento que ele foge da escola até o momento que ele chega na casa dele dias depois é uma jornada de autoconhecimento, de descoberta e de fortalecimento de amizades e dos laços familiares.

"Nem sei porque estava correndo - acho que era só porque tinha me dado vontade. Depois de atravessar a estrada senti um negócio esquisito como se estivesse desaparecendo. Era uma dessas tardes meio malucas, frias pra burro, sem sol, sem nada, e a gente se sentia como se estivesse desaparecendo toda vez que atravessava a estrada." 

O mais difícil é perceber até que ponto essa jornada existiu, o que aconteceu de verdade durante esses dias e o que a mente fértil do Holden inventou, essa é uma daquelas histórias Capitu e Bentinho, sabe? Que você não sabe o que é real e o que é parte da invenção e do escapismo do Holden!

Vale muito a pena ler e depois de um tempo reler, ler na adolescência deve ser bem produtivo, deve ter uma empatia maior. E pra afirmar isso deixo uma citação do Holden:

"Bom mesmo é o livro que quando a gente acaba de ler fica querendo ser um grande amigo do autor, para poder telefonar para ele  toda vez que der vontade."

Até a próxima.

;)

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