terça-feira, 16 de setembro de 2014

'Tá lido #56 - Um teto todo seu, Virginia Woolf

  Páginas:149 
  Editora: Nova Fronteira
  Sinopse: Celebrada como uma das mais importantes romancistas do século XX, Virginia Woolf mostra em Um Teto Todo Seu uma faceta de sua produção literária que cada vez mais vem sendo elogiada por seus estudiosos: a ensaística. Nele, a autora inglesa traça um brilhante painel da presença feminina na literatura - não como personagem, mas como escritora - ao longo do tempo. E chega à conclusão de que, se Shakespeare tivesse tido uma irmã tão brilhante e vocacionada quanto ele, ela certamente teria tido uma vida miserável e se matado ainda jovem, porque, às mulheres do século XVI, não era permitido outro papel senão o de trabalhadoras domésticas escravas ou animais de estimação. Em outras palavras, mulheres escritoras só começam a surgir a partir do momento em que lhes foi dado o direito de ter uma renda pessoal e um teto todo seu.


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Esse livro é um ensaio, foi escrito baseado no convite feito a V. Woolf  por uma universidade, para falar sobre o papel da mulher na literatura, durante o livro ela discorre sobre vários pontos importantes no processo de criação, mulheres importantes na literatura (claro que na época que ela escreveu esse livro as coisas eram muito mais complicadas para as mulheres), preconceitos e até mesmo na postura da mulher na sociedade.




(Na época que li esse livro, tinha acabado de ler Mrs. Dalloway e por conhecidencia li esse artigo na Revista Bula e descobri que estava por fazer 73 anos que ela se suicidara, quem quiser saber um pouco da vida dela e até das obras (superficialmente) vale a pena ler esse artigo)

Pode parecer besteira, mas algumas coisas que as mulheres faziam continuam se repetindo, um exemplo típico é aquela situação onde você permite que um homem carregue sua bolsa porque está pesada, ou que um homem levante e de o lugar pra você sentar, essas pequenas coisas que nos tornam frágeis e nos fazem refletir se queremos mesmo a igualdade, ou ter esse tipo de vantagem é melhor?
Esse permissão pra ser fragilizada dá poder e precedentes pra sermos tratadas de forma diferente.

Se o mundo mudou? Acredito que sim, mas ainda existem grandes barreiras que nós mesmas nos colocamos, existe um pensamento que nos diferencia dos homens e que nos tornam reféns das nossas próprias escolhas, escolhas próprias ou as que permitimos que tomem por nós.
Diferenças sempre vão existir, pois existem de um mulher pra outra, de um homem pra outro, aliás existem de pessoa pra pessoa, independentemente do sexo.




Nesse livro a VW coloca as barreiras que a mulher tinha que enfrentar no começo do século XX para escrever, no momento em que a maior parte delas não tinha renda, tinha muitos filhos e seu futuro decidido por outros homens, com isso ela destaca autoras como Jane Auste e as irmãs Brontë, que eram mulheres que escreviam (embora ainda dentro do mundo das mulheres da época, tratando de assuntos bem femininos), com certa crítica e do ponto de vista das mulheres, aceitando sua condição, muitas vezes até criticando, mas sem tentar escrever como um homem.



Acho fascinante a força que ela passa durante o discurso, ela não se faz de vítima em nenhum momento, mostra vários pontos de vista, critica os comportamentos que ela julga incovenientes e mesmo assim não se torna uma ode ao feminismo, mas nos faz repensar nossa postura e o quanto nos (des)valorizamos.


Quem ai já leu? Me conta o que achou!

Eu li da biblioteca, mas tô de olho nessa edição linda da Tordesilhas.

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